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Do Radar à Ação01 de junho de 202611 min de leitura

Como saber se o ChatGPT recomenda sua empresa: o roteiro completo do diagnóstico manual

O roteiro completo pra testar se o ChatGPT cita sua marca: fórmula das perguntas, protocolo de coleta, planilha modelo e a leitura de cada padrão.

PorLeandro Aveiro· Fundador da Rekon· Atualizado em 15 de julho de 2026

Para saber se o ChatGPT recomenda a sua empresa, você formula as perguntas que o seu comprador faria (sem citar a sua marca), roda cada uma pelo menos 3 vezes em chat temporário, registra numa planilha todas as marcas citadas e lê os padrões: quem aparece sempre, quem oscila, quem nunca existe. Uma consulta solta não responde nada, porque a resposta muda a cada sessão. O que responde é um protocolo repetível, e é isso que este guia entrega: a fórmula das perguntas com 10 exemplos prontos, o passo a passo da coleta, o template da planilha coluna a coluna e a interpretação de cada resultado possível.

Reserve 2 horas. Ferramenta paga: nenhuma.

Como formular as perguntas certas?

Toda pergunta de diagnóstico segue a mesma fórmula: [quem pergunta] + [problema ou necessidade] + [contexto que filtra] + [pedido de recomendação ou explicação]. E uma regra de ouro: o nome da sua marca não entra. A pergunta que mede descoberta é a que alguém digita quando ainda não conhece você.

O contexto que filtra é o ingrediente que quase todo mundo esquece. "Melhor CRM" gera uma resposta genérica dominada por gigantes globais. "Melhor CRM pra distribuidora de 80 funcionários no interior de SP" gera a resposta onde a disputa real acontece. Nas auditorias que rodamos, é nas perguntas com filtro de porte, região ou segmento que marcas brasileiras têm chance de aparecer, porque em PT-BR os modelos citam em média 3 a 5 fontes por resposta, contra 6 a 8 em inglês (dataset Rekon, 2026, n=2.500). Menos vagas, mais briga.

Monte de 12 a 16 perguntas distribuídas em quatro tipos. Os exemplos abaixo usam colchetes: troque pelo seu setor e estão prontos.

Topo de funil (o comprador descreve o problema, ainda nem sabe que a sua categoria existe):

  1. "Minha empresa de [setor] sofre com [problema concreto]. O que existe pra resolver isso?"
  2. "Como empresas de [setor] estão lidando com [problema] hoje no Brasil?"
  3. "Estou perdendo [resultado de negócio] por causa de [causa]. Por onde começo?"

Meio de funil (já sabe que existe solução, compara tipos e critérios):

  1. "Qual a diferença entre [tipo de solução A] e [tipo de solução B] pra uma empresa de [porte]?"
  2. "O que avaliar antes de contratar um [categoria de fornecedor]?"
  3. "[Categoria] nacional ou internacional: o que faz mais sentido pra quem opera no Brasil?"

Fundo de funil (pede nomes):

  1. "Quais os melhores [categoria] pra [segmento] no Brasil?"
  2. "Preciso contratar [categoria] pra [contexto específico, com porte e região]. Quem você recomenda e por quê?"

Validação (o comprador já achou você e está conferindo):

  1. "A [sua marca] é confiável pra [serviço]? Quais os pontos fortes e fracos?"
  2. "[Sua marca] ou [concorrente principal]: qual escolher pra [contexto]?"

Repare que os tipos 9 e 10 quebram a regra de ouro de propósito. Eles não medem descoberta; medem o que a IA diz de você quando alguém confere a sua reputação antes de assinar. São métricas diferentes e as duas importam. O que os modelos costumam responder nessa hora está em minha empresa é confiável: o que a IA responde. O erro fatal é usar pergunta com nome de marca pra medir descoberta; ele volta nas armadilhas.

Critério de qualidade do conjunto: leia cada pergunta em voz alta. Se só um profissional de marketing formularia aquilo, você está medindo um comprador que não existe.

Qual é o protocolo de coleta?

O protocolo tem quatro regras. Nenhuma é opcional, porque cada uma neutraliza uma fonte de distorção que já vimos estragar diagnóstico.

Regra 1: chat temporário, sem login. O ChatGPT logado carrega memória, instruções personalizadas e o histórico das suas conversas. Você pesquisa a própria marca há meses e a resposta vem contaminada por esse contexto. O que você quer medir é a resposta que um comprador desconhecido recebe. No ChatGPT, use o modo de chat temporário; em outros modelos, janela anônima sem conta.

Regra 2: no mínimo 3 repetições por pergunta, cada uma num chat novo. LLMs são estocásticos: a mesma pergunta gera respostas diferentes entre sessões. Uma consulta única é um lançamento de moeda, e já explicamos a matemática disso em por que uma pergunta não é medição. Três repetições ainda dão uma leitura só direcional (na nossa metodologia, N=5 dá intervalo de confiança de ±42 pontos; N=30 aperta pra ±15). Mas 3 já separam o essencial: o zero absoluto, a presença consistente e a zona de oscilação.

Regra 3: texto idêntico, sem conversa. Cole a pergunta exatamente igual nas 3 repetições. Não reformule, não corrija, não responda ao follow-up do modelo. Cada repetição é um chat descartado após o registro.

Regra 4: registre na hora, na planilha. Confiar na memória ou em prints soltos mata a análise depois. A planilha tem 10 colunas:

  1. id: número da pergunta (P1 a P16).
  2. tipo: topo, meio, fundo ou validação. Revela em qual estágio do funil você some.
  3. pergunta: o texto exato, congelado desde a primeira medição.
  4. modelo: ChatGPT, Gemini, Perplexity. Comece só com ChatGPT se o tempo for curto.
  5. data: dia da coleta. Modelos mudam; sem data não há série temporal.
  6. repeticao: 1, 2 ou 3.
  7. marcas_citadas: todas as marcas da resposta, na ordem em que aparecem. Essa coluna é o seu mapa competitivo de graça.
  8. minha_marca: sim ou não.
  9. posicao: em que ordem você foi citado (vazio se ausente).
  10. descricao_ok: correta, parcial, errada ou não se aplica. Julgue categoria, serviço e região.

Uma coluna extra de observações guarda frases literais da IA que valham discussão interna.

Tempo real de execução: 15 perguntas vezes 3 repetições dá 45 chats, cerca de 90 minutos no ChatGPT com registro incluído. Um segundo modelo dobra isso. Critério de "deu certo": você responde em quantas perguntas a sua marca apareceu ao menos uma vez, e quem domina as que ficaram sem você.

Como fica a planilha preenchida?

Trecho ilustrativo, com marcas fictícias de um software de gestão de frotas. É assim que os padrões saltam aos olhos:

idtipopergunta (resumo)modelorepmarcas_citadasminha_marcaposicaodescricao_ok
P3topo"perco prazo de entrega por falta de controle da frota, por onde começo?"ChatGPT1RotaMax, LogControlnãon.a.
P3topoidemChatGPT2RotaMax, FreteBem, LogControlnãon.a.
P3topoidemChatGPT3RotaMaxnãon.a.
P9fundo"melhores sistemas de gestão de frota pra transportadora média no Brasil"ChatGPT1RotaMax, TrilhaFrota, LogControlsim2correta
P9fundoidemChatGPT2RotaMax, LogControlnãon.a.
P9fundoidemChatGPT3RotaMax, TrilhaFrota, FreteBemsim2parcial
P10validação"TrilhaFrota é confiável? pontos fortes e fracos"ChatGPT1TrilhaFrota, RotaMaxsim1errada

Sete linhas já contam uma história. A TrilhaFrota oscila no fundo de funil (2 de 3), não existe no topo (0 de 3) e, quando o comprador confere a reputação dela, a IA erra a descrição. A RotaMax apareceu nas 7 linhas: é ela que leva o comprador que descreve o problema.

O que cada padrão de resultado significa?

Terminada a coleta, cada pergunta cai em um de quatro padrões, cada um com significado e ação distintos.

Aparece sempre (3 de 3). Presença consolidada naquela pergunta: o modelo tem lastro suficiente sobre você naquele território pra citar de forma estável. A ação não é comemorar, é proteger e auditar a qualidade: em que posição você vem, e a descrição está certa? No nosso estudo de 150 medições numa indústria B2B (cliente anônimo por contrato), a marca era líder absoluta com 85 menções em 885 extraídas, e ainda assim isso escondia o problema real, que aparece no padrão seguinte.

Aparece às vezes (1 ou 2 de 3). Zona de disputa. Com 3 amostras, um resultado 2 de 3 é compatível com taxas reais entre 20% e 95%, então resista à tentação de cravar tendência: a leitura honesta é "estou no jogo, mas sem cadeira garantida". A ação é aumentar o N antes de investir (mais 5 repetições só nessas perguntas) e priorizá-las no trabalho de conteúdo: perguntas oscilantes respondem mais rápido a reforço de evidência.

Nunca aparece (0 de 3 em todas as repetições). Se isso ocorre nas perguntas de fundo, você está fora do conjunto de consideração da sua própria categoria. Se ocorre no topo, você é invisível pra quem ainda está descobrindo o problema, o estágio onde clientes novos nascem. Foi o achado mais duro do nosso estudo: a líder em menções tinha 0% de citação nas perguntas de topo de funil, em todas as amostras. A ação é diagnóstico de causa, não produção cega de conteúdo, e o mecanismo por trás desses zeros está destrinchado em por que sua marca some no ChatGPT.

Aparece com descrição errada. O padrão mais urgente dos quatro. Ausência é oportunidade perdida; descrição errada é dano ativo, porque a IA apresenta você na categoria errada pra um comprador em decisão. A ação: rastreie de onde o erro vem (seu próprio site ambíguo, diretórios desatualizados, páginas institucionais antigas), corrija a fonte, e remeça em 4 a 6 semanas pra verificar se a correção propagou. Nas auditorias, esse é o achado que mais paga o exercício no primeiro dia, porque a correção costuma ser barata. O plano completo de rastreio e correção está em quando a IA erra sobre sua marca.

Um qualificador honesto: com 3 repetições por pergunta, tudo aqui é leitura direcional. Serve pra achar zeros, erros de descrição e assimetrias grosseiras entre tipos de pergunta. Não serve pra afirmar que você "cresceu de 33% pra 66%"; essa diferença, nesse N, é ruído.

Quais armadilhas invalidam o diagnóstico?

Três erros aparecem em quase todo diagnóstico caseiro que revisamos. Qualquer um sozinho invalida a conclusão.

Perguntar com o nome da marca e chamar isso de visibilidade. "O que você sabe sobre a [minha empresa]?" força a resposta: o modelo vai falar de você porque você mandou. Isso mede a capacidade da IA de discorrer sobre um nome dado, não a chance de ela recomendar você espontaneamente. Pergunta com marca só entra no tipo validação, rotulada como tal.

Medir uma vez e formar opinião. O gestor roda uma pergunta, vê a marca na resposta, tira print e declara vitória. Na sessão seguinte a marca some, porque a resposta é uma variável aleatória, não um fato. Vale pro pessimismo também: um zero isolado não prova invisibilidade. Sem repetição não há medição, há anedota.

Usar a conta logada de sempre. Memória e histórico personalizam a resposta a seu favor. É o equivalente a pesquisar a própria marca no Google logado e concluir que "rankeia bem". O viés é silencioso: a resposta parece normal, só que não é a que o mercado vê.

Duas armadilhas menores completam a lista: reformular a pergunta entre repetições (cria perguntas novas e mata a comparação) e trocar o conjunto de perguntas entre um mês e outro (destrói a série temporal, o produto mais valioso do processo).

Perguntas frequentes

Quantas repetições por pergunta são suficientes?

Depende da decisão que o número vai sustentar. Com 3 você detecta zeros e padrões grosseiros; é o mínimo viável pro diagnóstico manual. Pra comparar marcas ou medir evolução entre períodos, a nossa metodologia usa N=30 por pergunta, que dá intervalo de confiança de ±15 pontos via Wilson Score. Abaixo disso, trate diferenças pequenas como ruído.

Preciso do ChatGPT pago pra fazer o diagnóstico?

Não. O chat temporário da versão gratuita serve pro protocolo inteiro. Só registre qual versão do modelo respondeu, porque versões diferentes citam marcas diferentes. O critério correto é medir a superfície que o seu comprador usa, e a maioria usa a gratuita.

Com que frequência devo repetir a medição?

Mensal é a cadência que recomendamos pra acompanhamento, com as perguntas congeladas. Modelos mudam com releases e o conteúdo que eles leem muda toda semana; comparações distantes misturam o seu trabalho com o drift do modelo. Se você acabou de corrigir uma descrição errada, remeça o bloco afetado em 4 a 6 semanas.

Minha marca não apareceu em nenhuma pergunta. E agora?

Primeiro, confirme que não é artefato: perguntas sem filtro de contexto e coleta logada produzem falsos zeros. Confirmado o zero, você tem um diagnóstico valioso: o modelo não tem lastro suficiente sobre a sua entidade pra citá-la. A causa costuma estar nas fontes que a IA lê, e por que sua marca some no ChatGPT mostra as mais comuns.


Com a planilha preenchida, você sabe o que a maioria dos concorrentes não sabe: em quais perguntas a categoria está sendo decidida sem você. O próximo passo é escala e causa: mais amostras por pergunta, mais modelos e o porquê de cada zero. A auditoria gratuita da Rekon roda esse mesmo protocolo com N maior, multi-modelo e intervalo de confiança calculado, e devolve a matriz pronta em 5 minutos. Compare com a sua planilha manual: se os zeros coincidirem, você acabou de validar o seu primeiro instrumento de medição.