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Do radar à ação02 nov 202612 min11 fontes

O tráfego do ChatGPT desabou: foi erro de medição ou perda real de visibilidade?

Leandro Aveiro, fundador da Rekon

Neste artigo

Você abre o GA4 para fechar o relatório de outubro e a linha do ChatGPT está bem abaixo da de setembro. Antes de mexer em conteúdo ou orçamento, olhe o dia em que ela caiu. Se foi entre 8 e 16 de outubro de 2026, a explicação mais provável é uma falha na marcação dos links do ChatGPT, que jogou visitas para Direct. Trate como perda real só o que continua depois de 16 de outubro nas mesmas páginas. E chame de perda de visibilidade apenas o que aparecer nas respostas, medido fora do analytics.

A evidência mais citada vem de Cedric Huesler, diretor sênior de produto da Adobe. Segundo a Search Engine Journal, ele comparou 9 a 13 de outubro com a semana anterior em cerca de 500 páginas onde o ChatGPT trazia ao menos 5% das visitas. O ChatGPT perdeu cerca de 31.000 visitas por dia e o Direct ganhou cerca de 26.000. Ele mesmo chama o resultado de inicial, baseado em quatro dias de dados amostrados. Serve para abrir o diagnóstico, não para encerrar o do seu site.

O GA4 reconhece uma visita do ChatGPT por dois sinais: a tag utm_source=chatgpt.com na URL ou o referenciador. Huesler relatou que, depois do lançamento do GPT-6, os links passaram a abrir com uma configuração que esconde o referenciador e sem a tag. Sem nenhum dos dois, vale a definição do Google para Direct: chegada por link salvo ou URL digitada. O clique numa resposta vira, no relatório, alguém que digitou o seu endereço.

A cronologia mais fina é da Profound, empresa que vende monitoramento de visibilidade em IA. Ela publicou a evolução em intervalos de 30 minutos, medindo a parcela das respostas com citação que traziam pelo menos um link marcado. O texto não informa o tamanho da amostra. Converti os horários de UTC para Brasília.

Momento (Brasília)Respostas com link marcado (Profound)
8/10, 15hcerca de 98,5%
9/10, dia inteirocerca de 75%
14/10, antes das 16hcerca de 67%
14/10, 16h30cerca de 5%
15/10, 19hcerca de 11%
16/10, 3h30cerca de 99%

A queda tem dois degraus: um parcial na tarde de 8 de outubro e outro, quase total, na tarde de 14. Se a sua curva diária mostra esse formato, com volta na madrugada de 16, a hipótese de rótulo ganha força. O percentual descreve respostas coletadas, e a própria Profound avisa que não serve de multiplicador para corrigir tráfego.

As fontes também discordam sobre o fim. Huesler relatou que, às 9h da manhã no horário do Pacífico de 15 de outubro, os cliques marcados já estavam entre 95% e 100% do mesmo horário da semana anterior. A Profound ainda via 11% seis horas depois, e o consultor Glenn Gabe disse que não notava a mudança. Uma conta cliques e a outra, respostas, então as duas podem estar certas. Por isso uso uma janela até 16, um dia além da de Huesler.

A palavra “bug” também tem origem indireta: a OpenAI confirmou isso a Huesler em 14 de outubro, segundo ele. Li as notas de versão do ChatGPT em 2 de novembro e não há menção a UTM ou referenciador. O rastreador público da LLM Pulse, que também vende monitoramento, mostrava 97,53% de respostas com link marcado na leitura mais recente, com dados até 25 de outubro e sem N publicado. A tag voltou, tudo indica. O produto de antes, não.

O Direct subir prova que eram as mesmas visitas?

Não prova, e a leitura apressada erra para o outro lado: troca o pânico por um alívio com o mesmo excesso de certeza.

Primeiro, a conta não fecha: dos 31.000 que saíram por dia, sobram 5.000, ou 16%, sem aparecer no Direct. Ross Simmonds, dono de uma agência de conteúdo, faz essa ressalva e sugere que parte foi para Unassigned ou caiu de verdade.

Segundo, a taxa de base. O Direct subiu em duas de cada três páginas que perderam tráfego do ChatGPT, mas subia em cerca de metade delas na semana anterior. Direct é o canal onde todo erro de atribuição vai parar, e por isso ele nunca prova nada sozinho.

Terceiro, a escala. A LLM Pulse mediu cerca de 46% menos sessões do ChatGPT entre 9 e 11 de outubro, com o tráfego total dos mesmos sites perto de 2% abaixo, e Perplexity e Claude estáveis. Não dá o número de sites. No nível do site, o aumento do Direct ficou difícil de ver, porque o ChatGPT é pequeno perto dele. A empresa passou a apontar para rótulo perdido e mantém a ressalva de que a nova interface pode resolver mais perguntas no chat e mandar menos cliques.

Minha leitura: o rótulo explica a maior parte do tombo de outubro nesses dados, e nada neles autoriza dizer que explica tudo. Tomek Rudzki, da Peec AI, rodou o mesmo 1 milhão de prompts antes e depois e, ainda segundo a Search Engine Journal, viu URLs diretas em 42% das respostas, contra 8% a 10% antes, com 54% delas apontando para a página inicial. São links exibidos, não cliques, e a Peec vende ferramenta do setor. Se o padrão persistir, comparar setembro com novembro é comparar dois produtos.

Os painéis agregados também não resolvem. A rede SearchLight, com mais de 1.400 empresas de serviços residenciais, via a fatia de leads do ChatGPT (por 10 mil leads web) em outubro, ainda parcial até o dia 21, 27% abaixo de setembro. O índice da Trakkr, cuja página cita ora 6.628 sites, ora 6.286 propriedades, mostrava visualizações de página vindas do ChatGPT 2,2% acima nos 30 dias até 30 de outubro. Unidades e janelas diferentes, sinais opostos, e nenhum dos estudos que li recorta o Brasil. A média dos outros não decide o seu caso.

Quais são as três quedas que cabem no mesmo gráfico?

Medição, clique e visibilidade costumam chegar à reunião com o mesmo nome, “perdemos tráfego de IA”. Cada um pede uma decisão diferente.

QuedaO que mudouComo aparece nos seus dadosO que fazer
De rótuloA visita veio, sem origemDirect de novos usuários sobe nas páginas dependentes na janela e recua depois; o ChatGPT voltaAnotar e não mexer em conteúdo nem orçamento
De cliqueA marca segue na resposta, menos gente clica ou o clique vai para outra páginaChatGPT abaixo em semanas limpas, sem sobra no Direct, presença estávelRever a meta: tráfego deixa de ser o indicador principal do canal
De visibilidadeA marca saiu da resposta ou perdeu espaçoPresença menor, com intervalos que não se sobrepõemInvestigar quem ocupou o lugar e o que mudou com a versão do modelo

Só a terceira linha justifica trabalho de conteúdo. É nela que entram os concorrentes-sombra e a diferença entre versões de IA, que pesa mais depois de uma troca de modelo como a de outubro.

Como separar as três em cerca de três horas?

Você precisa de acesso ao GA4 e de uma conta no ChatGPT. As datas valem para outubro de 2026; em outra queda, troque pelas equivalentes.

  1. Marque a janela (10 min). Anote 8 a 16 de outubro no GA4 e no painel que vai para a diretoria. O feriado de 12 de outubro cai nesses dias. Deu certo se quem abrir o relatório vê o aviso antes de ver a curva.
  2. Compare semana limpa com semana limpa (20 min). Use 28/09 a 04/10 contra 19/10 a 25/10, de segunda a domingo. Filtre por origem da sessão contendo “chatgpt”, e não só pelo canal AI Assistant: a regra do Google exige o meio ai-assistant ou referenciador conhecido, e a sitebrunch, que vende analytics, observa que visitas marcadas podem manter só a origem chatgpt.com. Calcule também como parcela do total de sessões, para tirar a sazonalidade. Deu certo se você tem uma variação em porcentagem. Variação perto de zero encerra o caso; o resto segue para o passo 3.
  3. Monte dois grupos de páginas (30 min). Grupo dependente: páginas de entrada em que o ChatGPT trazia 5% ou mais das sessões em setembro, o critério de Huesler. Grupo de controle: dez páginas parecidas com tráfego quase nulo do ChatGPT. A página inicial fica à parte, por causa do dado da Peec. Deu certo se os três conjuntos estão salvos como segmento.
  4. Leia o Direct de novos usuários em três tempos (30 min). Antes da janela, durante e depois, nos dois grupos. O teste forte é a volta: um Direct que sobe no grupo dependente, recua depois de 16 de outubro e fica parado no controle é o mais perto de um experimento natural que você vai ter. Deu certo se você consegue dizer “subiu e voltou”, “subiu e ficou” ou “não mexeu”.
  5. Teste o clique hoje (15 min). Faça cinco perguntas cujas respostas citem o seu site, no aplicativo e no navegador. Clique em links do texto e do painel de fontes, porque a Profound viu marcação variar dentro da mesma resposta. Olhe se a URL traz a tag e como o relatório em tempo real classifica a visita. A Graphite, empresa de SEO, disse que 95% das visitas móveis do ChatGPT aos seus sites dependiam só da tag, então não pule o celular. Deu certo se você tem dez cliques anotados com a classificação de cada um.
  6. Meça presença nas respostas (75 min). Doze perguntas de comprador, sem o nome da marca, cinco repetições cada, na interface, e não na API: um estudo no arXiv sobre ChatGPT 5.2 a 5.5, anterior ao GPT-6, viu API e Google Search, somados, recuperarem só cerca de um quarto das URLs citadas no ChatGPT Web. O protocolo completo está em como medir marca em IA quando ninguém clica. Deu certo se você tem uma taxa com N e intervalo.

O passo 6 esconde a limitação mais incômoda do método. Se você não mediu presença antes de 8 de outubro, não tem como provar que ela caiu ou ficou igual, e a pergunta “perdi visibilidade em outubro?” fica sem resposta. Nesse caso, a auditoria gratuita serve de foto do ponto zero, com o limite de qualquer foto de hoje: não enxerga o passado.

Quem tem histórico precisa ler com calma. Um exemplo ilustrativo, com intervalos de Wilson a 95% calculados por nós: a marca fictícia Ponte Fiscal aparecia em 13 de 40 respostas em setembro e aparece em 7 de 40 agora. Parece uma queda de 46%. Mas os intervalos vão de 20,1% a 48% e de 8,7% a 32%, e se sobrepõem. Sobreposição não é teste formal, mas basta para segurar a reação até a rodada seguinte; a matemática está em por que uma pergunta não é medição.

Usamos a mesma régua com nossos dados. No estudo com uma indústria B2B, com 150 medições de 15 perguntas e 885 menções, consideramos direcional cada taxa individual, porque o N por pergunta era pequeno.

O que a correção não consertou?

O histórico. A volta da tag melhora as visitas novas e, como a Profound lembra, não recupera a origem das antigas. Qualquer “correção” que você aplique àquela semana é estimativa, e precisa ser declarada assim.

Também não consertou a fragilidade. Huesler relatou que a maioria dos cliques do ChatGPT segue chegando sem referenciador e recomenda contar pela tag. A atribuição ficou pendurada num parâmetro de URL que sumiu sem aviso e voltou sem nota de versão.

Por isso vale manter dois sinais que não dependem dela: o segmento de Direct do passo 4, e o campo “como nos conheceu?” no cadastro. Uma ressalva sobre a nossa posição: a Rekon vende medição de presença, logo tem interesse na conclusão de que presença importa, assim como a Profound e a LLM Pulse. Também não temos dado próprio de sessões em sites de terceiros. Por isso os passos 1 a 5 rodam só com o GA4 e o ChatGPT.

Perguntas frequentes

Devo cortar o investimento em GEO por causa dessa queda?

Não com base só na linha de referral de outubro, que mistura falha de marcação com audiência. Só uma queda de presença nas respostas, com repetição e intervalo, sustenta essa conversa.

E se a minha queda começou em outra data?

Então o bug de outubro não explica o seu caso. Procure nos logs do servidor ou da CDN se o firewall está bloqueando OAI-SearchBot e ChatGPT-User: a documentação da OpenAI diz que sites excluídos do OAI-SearchBot não aparecem nas respostas de busca, salvo como links de navegação. Depois confira migrações e redirecionamentos que perdem parâmetros.

Posso somar o Direct daquela semana ao ChatGPT para corrigir o relatório?

Não como número oficial. No conjunto de Huesler, o Direct devolveu cerca de 84% do que saiu, e a sua proporção será outra. Reporte uma faixa e declare que é estimativa.

Como explico isso ao meu cliente ou à diretoria sem parecer desculpa?

Mostre o teste antes da conclusão: as datas, o grupo de controle e os cliques anotados. Há um roteiro para essa conversa em como vender GEO sem prometer o que não dá.

Que palavra vai no relatório de outubro?

Antes de fechar o documento, escreva ao lado da linha do ChatGPT uma destas três: rótulo, clique ou visibilidade. Rótulo mantém o plano como está. Clique troca a meta do canal. Visibilidade abre uma investigação com dono e prazo.

Se os passos não deixarem você escolher, a decisão também existe: orçamento congelado por 30 dias e uma medição de presença em andamento, para a próxima queda encontrar uma linha de base pronta.

Como medimos está na metodologia.

Leu o método. Falta o número da sua marca.

A auditoria gratuita pergunta às IAs sobre o seu setor e mostra quem aparece no seu lugar.