Do radar à ação02 nov 202612 min7 fontes
Posição 1 no Search Console vale algo em página com AI Overview?
Leandro Aveiro, fundador da Rekon
Neste artigo
O relatório do mês comemora posição média 1,2 e os cliques da página caíram. Os dois números podem estar certos ao mesmo tempo. Em consulta com AI Overview, o Search Console dá a todo link do resumo a posição do bloco inteiro e conta só o link mais alto do seu site, então a média diz onde o bloco está. Ela não diz onde seu link aparece na tela nem se rende clique. No lugar dela, olhe clique e CTR por consulta, e confira à mão se o link aparece sem que ninguém precise abrir nada.
O próprio Google admite o limite. Em setembro, John Mueller respondeu no Reddit que a posição nesses recursos é “hard to do in a way that makes it useful” e que o Google a acompanha “as a block”, como faz com outros recursos da busca.
O que o Search Console registra quando seu link está num AI Overview?
Três regras da documentação explicam quase tudo. O estrago vem da soma.
A primeira é a do bloco. A ajuda do Search Console diz: “An AI Overview occupies a single position in search results, and all links in the AI Overview are assigned that same position.” A imprensa de SEO apelidou isso de block flattening; não encontrei o termo na documentação do Google. O artigo que popularizou o nome fala em posição 1 para todos, o que simplifica demais. A regra é a posição do bloco, que costuma ser 1 quando ele abre a página. Em 2025, o próprio Mueller disse não ter certeza de que o bloco sempre vem primeiro.
A segunda é a do link mais alto. A mesma página define posição como “the topmost position occupied by a link to your property or page”. Sua página está em terceiro nos resultados comuns e também é citada no bloco? Pela regra, aquela impressão entra com a posição do bloco. Há um detalhe que confunde muita análise: nas linhas por consulta, os dados são agregados por propriedade. Um post antigo citado no resumo pode melhorar a linha de uma consulta cuja página comercial segue lá embaixo.
A terceira é a da impressão, e ela separa o link visível do escondido. Pela ajuda, a impressão significa que o usuário viu “or potentially seen” o link, e conta quando o item aparece na página de resultados sem exigir clique. Link atrás de “Mostrar mais” fica de fora até alguém abrir. Mueller foi direto no Bluesky: “If something needs to be ‘activated’ to see the link, it would only count when users do that.”
Daqui sai uma correção ao que mais se repete sobre o assunto. Costuma-se dizer que o link em destaque e o link escondido recebem o mesmo registro. Isso só vale nas vezes em que alguém expande o resumo. Como a ajuda diz que, sem impressão, a posição “is not recorded for that query”, o link escondido e nunca aberto não puxa sua média para cima. A leitura é nossa, feita a partir da documentação, sem teste de laboratório.
Por que a média melhora sem nenhum clique a mais?
Porque ela é uma conta ponderada por impressões, e o bloco muda o peso das contas. O exemplo abaixo é ilustrativo, com a marca fictícia Verdalo: uma página em terceiro nos resultados comuns, com 10 mil impressões no mês. Para simplificar, não movi o resultado orgânico quando o bloco entra. Se o bloco ocupar uma casa acima dele, C e D ficam um pouco piores e a conclusão continua de pé.
| Cenário | O que acontece na página de resultados | Posição média |
|---|---|---|
| A | Sem AI Overview | 3,0 |
| B | Bloco em 90% das impressões, link visível, bloco em primeiro | 1,2 |
| C | Bloco em 90% das impressões, link atrás de “Mostrar mais”, 5% expandem | 2,9 |
| D | Bloco em 90% das impressões, sem o seu link | 3,0 |
A passagem de A para B é o relatório da abertura. A página não subiu uma casa. Um bloco entrou na frente, levou o link da Verdalo junto e a média foi para perto de 1, com o resultado comum empurrado para baixo na tela. Já A e D mostram o caso inverso: mesmo número, com a página de resultados completamente diferente para quem busca.
Um teste público aponta nessa direção, e ele é pequeno. Cyrus Shepard bloqueou um site nos controles de opt-out do Google e contou o resultado, relatado pelo Search Engine Roundtable em 30 de outubro. A posição média do site “increased”, o que leio como melhora, por causa de posts novos e de buscas de marca. Nas URLs com mais visibilidade em IA, “there was a drop and then a rise when AI visibility was turned back on”. Leio “drop” como piora, e o texto não traz os valores. É um único site, e o próprio relato chama o estudo de muito limitado. Fica como pista.
Estar no bloco rende o clique de uma posição 1?
Os dados públicos dizem que não.
A Pew Research acompanhou a navegação de 900 adultos americanos em março de 2025, com 68.879 buscas no Google, 12.593 delas com resumo de IA. Com resumo na tela, as pessoas clicaram em resultado tradicional em 8% das visitas, contra 15% nas páginas sem ele. No link dentro do próprio resumo, 1%. É comportamento real, nos Estados Unidos, e já tem mais de um ano.
A Seer Interactive, agência que vende serviços de busca, olhou 53 contas e cerca de 5,47 milhões de consultas. Em consultas informacionais, na média de 2025, o CTR orgânico foi de 3,35% sem AI Overview, 2,07% com a marca citada e 0,94% com bloco e sem a marca. Pela nossa conta, ser citado rende cerca de 38% menos clique por impressão que uma consulta sem bloco, e bem mais que ficar de fora. A Seer avisa que isso é correlação, porque marca forte também é mais citada. Avisa ainda que uma conta responde por 47% das impressões do grupo não citado; sem ela, os 0,94% viram cerca de 1,61%.
Lidos juntos, os dois estudos dão a medida do engano: a posição do bloco vem no relatório com cara de primeiro lugar, e o clique se comporta de outro jeito.
Falta um dado que todo mundo gostaria de ter, o CTR por lugar do link dentro do resumo. Não encontrei estudo público que meça isso com método aberto. Desconfie de tabela que traga “corpo da resposta: 8%, carrossel: 0,2%” sem amostra e sem coleta descrita.
Então a posição média não serve para nada?
Serve, em outro papel. Aqui discordo do conselho de “esquecer a posição”. O autor do artigo do Search Engine Journal, Dan Taylor, da agência 10 Spurs, propõe tratar a visibilidade em IA como sim ou não e olhar visitas e conversões. A recomendação é dele, e não do Google. Faz sentido para o relatório executivo, mas joga fora um sinal útil para quem opera.
Em consulta sem bloco, a posição continua dizendo o que sempre disse. E um salto de posição sem mudança no site, somado a CTR caindo, é um bom alarme de que um resumo entrou naquela busca. Só que alarme pede conferência e não entra no slide como vitória. A forma de confirmar quanto de clique foi embora está em como saber se AI Overviews estão roubando cliques.
O que colocar no relatório no lugar dela?
| Pergunta | Onde olhar | Limite |
|---|---|---|
| A página aparece em recursos de IA? | Relatório de IA generativa, por página | Só impressões, sem consulta, clique ou posição |
| O link aparece sem clique? | A própria página de resultados | Amostra pequena, varia por dia e aparelho |
| A consulta ainda rende clique? | Desempenho, tipo Web: clique e CTR por consulta, comparando períodos | Clique no bloco vem misturado ao orgânico |
| O visitante que chega converte? | Conversões no Analytics | Sem separação por AI Overview |
| E fora do Google? | Coleta repetida nos modelos de IA | Exige amostra e margem de erro |
A linha do relatório de IA merece cuidado. A ajuda descreve só impressões, com recortes por página, país, data e aparelho, e os dados são um subconjunto do tipo Web do relatório de desempenho. Você descobre que uma URL apareceu em IA, sem saber em qual busca. A abertura desses dados segue sem data: em 2 de novembro, o Search Engine Roundtable registrou Gary Illyes dizendo que o time quer dar “data that makes sense”, sem nada a anunciar. Mueller achou estranha a leitura pessimista; Barry Schwartz, autor do texto, segue cético.
Para conversão, o Google indica acompanhar “conversions and time spent on your site” em ferramentas como o Analytics, e afirma que os cliques vindos de páginas com AI Overview são “higher quality”. Trate isso como hipótese a testar na sua conta. Quem afirma é a parte interessada.
A última linha existe porque o Search Console para no Google. O que ChatGPT, Claude e Gemini dizem da marca não passa por ele, e a auditoria gratuita roda perguntas de comprador nesses modelos para mostrar esse pedaço. O método de amostragem está em como medir marca em IA quando ninguém clica.
Como refazer a leitura em duas horas, sem ferramenta paga?
- Liste as URLs com presença em IA (15 min). No relatório de IA generativa, aba Páginas, últimos 3 meses, anote as 20 com mais impressões. Se o relatório não aparecer, o site tem poucas impressões nesses recursos ou está fora deles: pare aqui.
- Puxe as consultas de cada URL (30 min). Em Desempenho, tipo Web, filtre a página, abra Consultas e compare com os 3 meses anteriores. Exporte posição, clique e CTR. Marque as 20 consultas com mais impressões em que a posição melhorou ou ficou estável e o clique caiu.
- Veja a página de resultados (45 min, em três dias). Janela anônima, mesmo país e aparelho dominante do relatório. Classifique cada consulta em quatro grupos: sem bloco, bloco sem você, link visível, link atrás de “Mostrar mais”. Três dias porque a citação oscila: a Ahrefs, que vende monitoramento de IA, acompanhou cerca de 37.500 citações por 20 dias e viu perto de 50% das do AI Overview sumirem de um dia para o outro.
- Compare os grupos (20 min). Some impressões e cliques de cada grupo e calcule o CTR. Compare com o período anterior, nunca entre grupos pequenos como se fossem prova.
- Reescreva a linha do relatório (10 min). Troque a posição média dessas consultas pela distribuição dos quatro grupos e pelo CTR de cada um.
Deu certo se você termina com uma frase assim: “das 20 consultas, em 6 nosso link aparece sem clique nos três dias, em 4 fica atrás de ‘Mostrar mais’ e em 7 o bloco não nos cita; o CTR total caiu de X% para Y%”. Se 15 dessas consultas nem têm bloco, a explicação da queda está em outro lugar, e você acabou de se poupar de uma tese errada.
O passo 3 é manual por um motivo que não vou esconder: nosso radar coleta o bloco do AI Overview, registra se ele apareceu e quais fontes citou, e hoje não registra se o link estava à vista ou atrás de “Mostrar mais”. Vinte consultas olhadas por uma pessoa respondem essa pergunta melhor que qualquer média.
Perguntas frequentes
Minha agência reporta posição média. Ela está errada?
O número está certo como o Search Console o define. O erro está em lê-lo como ganho quando a consulta tem AI Overview. Peça a mesma linha separada entre consultas com e sem bloco, junto com o CTR.
Dá para filtrar no Search Console só as consultas com AI Overview?
Pela documentação que li, não. O relatório de IA generativa traz páginas, países, datas e aparelhos, sem consultas, e os dados do bloco aparecem misturados no tipo Web. Por isso a classificação do passo 3 ainda depende de abrir a busca.
No AI Mode a regra é a mesma?
Não exatamente. A ajuda diz que a posição no AI Mode segue a mesma metodologia de uma página de resultados, e que uma pergunta de continuação conta como nova consulta. Para o AI Overview, vale a regra do bloco único.
E se eu estiver citado e o clique ainda assim for baixo?
Compare com o negócio antes de reagir. Na média da Seer, citado ainda rende mais que não citado, e o teste de Shepard sugere algum efeito sobre o resto da página, com a ressalva de ser um site só. Olhe conversão e busca pela marca antes de concluir que a citação não vale nada.
Como explicar isso a quem pediu o relatório?
Comece pelo número que a pessoa já viu, sem apresentar conceito nenhum. Três frases dão conta: “A posição média melhorou porque o Google passou a mostrar um resumo de IA nessas buscas e dá a posição do resumo a todo link dentro dele. Isso não trouxe clique na mesma proporção, porque quem lê o resumo clica menos. A partir deste mês, mostro em quantas consultas nosso link aparece sem clique, quantos cliques elas rendem e o que aconteceu com as conversões.”
Depois abra a busca ao vivo, numa consulta em que a marca aparece e noutra em que está escondida. Uma tela convence mais que um gráfico. Vimos o mesmo tipo de surpresa em outra superfície: num estudo nosso com 150 medições em respostas de IA, sem Search Console no meio, a indústria que liderava com 85 das 885 menções tinha 0% nas perguntas de descoberta. Número agregado bonito convive bem com um zero no lugar que decide a venda.
Espere a pergunta seguinte, que costuma ser “então quanto isso nos custou?”. Ela merece resposta honesta, inclusive sobre o que ninguém sabe medir ainda, e como vender GEO sem prometer o que não dá traz o roteiro dessa conversa.
Como medimos está na metodologia.